sábado, 2 de abril de 2016

NOTÍCIAS DA IGREJA: ARQUIDIOCESE

a) Para Dom Odilo, atual crise revela certa fragilidade do governo


Ao receber a imprensa na Cúria Metropolitana no tradicional encontro para falar das celebrações da Semana Santa, o Arcebispo também comentou a crise política nacional e a nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como ministro-chefe da Casa Civil.

Lula foi empossado ministro-chefe da Casa Civil na manhã do dia 18 de março. Entretanto, minutos depois da cerimônia, uma decisão liminar do juiz Itagiba Catta Preta Neto, da 4ª Vara do Distrito Federal, suspendeu a nomeação. Esta suspensão foi derrubada na noite de ontem pelo presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), Cândido Ribeiro. Mesmo assim, o ex-presidente ainda não pode exercer sua nova função, porque outra decisão da juíza Regina Coeli Formisano, da 6ª Vara da Justiça Federal no Rio de Janeiro, também o suspendeu do cargo.

“Eu vejo o atual momento político brasileiro com preocupação visto as situações que se criaram de incertezas, de instabilidade, até de manifestações com certo risco de violência – que graças a Deus até aqui foram muito contidas”, expressou o Purpurado.

O Arcebispo expressou ainda ter a impressão de que o atual momento “revela certa fragilidade do atual governo, inclusive em decisões importantes a tomar”. Como exemplo, citou nomeação do ex-presidente Lula para a chefia da Casa Civil.

“Evidentemente, a presidente Dilma e seus assistentes têm todo o direito de tomar suas decisões, porém, a sociedade está vendo com olhares diferentes esta decisão”, declarou o Cardeal, para quem esta “não foi a melhor coisa a se fazer” no atual “momento da história e do governo que estamos vivendo”.

“A população brasileira está com vontade de falar, de participar. Ela não está alheia, não está apática à situação política. E isso é bom, é sinal de um crescimento da consciência política e da consciência democrática, inclusive com as manifestações, digamos, de diferentes tendências, mas no devido respeito também à ordem legal, democrática e pública”.

Por outro lado, pontuou como positivo também a forma como as instituições estão lidando com tal situação, de maneira “firme, atravessando essa crise com maturidade, lutando pela isenção e pela autonomia dos poderes democráticos da República e tentando exercer, cada uma, a sua função”.

Por fim, Dom Odilo expressou seus votos de que o “Brasil consiga superar, amadurecido, este momento de crise e também a crise econômica, que está pesando já bastante fortemente sobre a população, possa também encontrar uma solução”.


b) Assessoria de Comunicação da Arquidiocese de São Paulo esclarece sobre a agressão sofrida por Dom Odilo Scherer na Catedral da Sé

A Assessoria de Comunicação da arquidiocese de São Paulo esclarece que, na manhã desta Quinta-feira Santa, na Catedral da Sé, uma mulher, com sinais claros de algum transtorno, se manifestava em voz alta durante a celebração da Missa. Após a conclusão da Missa, ela chegou perto do altar e chegou a agredir fisicamente o Cardeal de São Paulo, Odilo Pedro Scherer, que presidia a Missa; em consequência do incidente, o Arcebispo ficou com algumas escoriações, sem gravidade. Ele está bem e vai presidir todas as celebrações da Semana Santa, previstas em sua agenda. A Arquidiocese de São Paulo lamenta o ocorrido e pede a todos os católicos que participem com intensidade e devoção das celebrações do sagrado Tríduo Pascal de paixão, morte e ressurreição de Jesus, que iniciamos nesta Quinta-feira Santa.




Jornal Online “A Voz de Lourdes” – Abril de 2016
Compilação e Edição: Sérgio Bonadiman - Revisão e Publicação: Dermeval Neves
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NOTÍCIAS DA IGREJA: CNBB


a) Um olhar sobre a realidade

Cardeal  Orani João Tempesta - Arcebispo do Rio de Janeiro

O Brasil atravessa um difícil momento de crise política, institucional e ética, que não deixa indiferente ninguém de nós. Ao contrário, pede-nos oração e reflexão. Se de um lado há um despertar das pessoas para agir na sociedade, de outro há também situações de conflitos preocupantes. Ao querer o bem do país, devemos procurar fazê-lo bem também.

Em tempos de tantas situações anômalas e tensas, ao mesmo tempo em que nos cabe manifestar nossas opiniões, somos chamados também a encontrar caminhos de solução. Eis o grande desafio que se impõe nesse momento à nossa pátria!

Em tempos como estes, os homens da Igreja são chamados a dar uma palavra de apoio e incentivo a todos os filhos e filhas desta amada nação que – queiramos ou não – nasceu sob o signo da Cruz do único e divino Redentor do gênero humano. Ele, sem deixar de ser Deus, se fez homem igual a nós em tudo, menos no pecado, na plenitude dos tempos (cf. Gl 4,4). A história é inexorável. Pode ser reinterpretada, nunca, porém, negada por quem quer que seja.

Essas raízes religiosas dão base à unidade nacional de Norte a Sul, de Leste a Oeste, sempre dentro do respeito às diferentes denominações religiosas ou mesmo às pessoas ou grupos que afirmam não ter religião. É a unidade nacional na pluralidade de pensamentos. Isso constitui um Estado que se confessa laico no sentido exato do termo, mas não laicista, ou seja, aquela Nação que, sob a aparência de laicidade, persegue as instituições não concordes com o seu modo de pensar ou, pior, com a linha ideológica do seu governo. Isso caracterizaria um tipo de intolerância que o próprio povo jamais toleraria.

É certo, como a Igreja entende desde o distante pontificado do Papa Leão XIII (1878-1903), que a chamada questão social jamais será resolvida se nos esquecermos dos valores humanos e evangélicos, pois ela é uma questão do homem e da mulher dos nossos tempos com fome e sede do Absoluto ou de Deus, sem o qual tudo o mais parece sem sentido. Daí dizer aquele Papa o seguinte: “Alguns professam a opinião, assaz vulgarizada, de que a questão social, como se diz, é somente econômica; ao contrário, porém, a verdade é que ela é principalmente moral e religiosa e, por este motivo, deve ser resolvida em conformidade com as leis da moral e da religião”. (Encíclica Graves de communi, 18/01/1901).

Em outras palavras, seguindo a sabedoria bimilenar da Igreja, não se pode fazer verdadeira reforma social sem, antes de tudo, transformar o coração humano em um coração que ama o próximo antes de amar a si. Mais: faz isso por amor de Deus e não por mera filantropia. Qualquer reforma social que não parta da própria reforma interior de cada um de nós está sujeita aos mais vergonhosos fracassos, como já ficou comprovado em diversos países que tentaram destronar Deus para colocar em Seu lugar qualquer outra coisa ou pessoa no campo social e político.

Um dos princípios básicos de todo povo civilizado, que se preze de ter esse adjetivo, tem de ser o respeito à vida desde a sua concepção até o seu natural ocaso. Afinal, que credibilidade teria quem dissesse defender os mais fragilizados, mas advogasse – inclusive oficialmente em um programa político ou legislativo – a morte dos mais inermes e indefesos, como são os nascituros no ventre de suas mães? Ainda: como poderia ser chamado de civilizado um país no qual é roubada a dignidade de viver dos idosos a cambalearem pelas filas de alguns órgãos públicos de saúde ou mesmo em hospitais ou instituições semelhantes?

Como poderia ser tida por avançada uma sociedade que, por meio de suas autoridades maiores e contra o sentimento do povo, investisse pesadamente contra a família, célula mãe da vida social e cultural? É na família que se aprendem os primeiros passos da fé, da honestidade, da partilha (e não do tirar vantagem, especialmente com o que é do outro), do amor, enfim, dos valores humanos e cristãos necessários para a vida saudável em comunidade. Tentar quebrar essa instituição querida por Deus é desejar destruir a sociedade a partir de seus alicerces.

Ora, sem o respeito à religião, à vida e à família não se pode, de modo algum, construir uma sociedade verdadeiramente próspera e respeitável. Todos os artifícios de progresso serão uma quimera, que cedo ou tarde acabarão por ruir. Seu alicerce está sobre a areia movediça e não sobre a Rocha firme que é Deus, criador de tudo e desejoso do bem dos seus filhos e filhas. Os caminhos que não respeitam a fé do povo e seus valores acabam por desencadear em situações irrespiráveis. 

A falta de ética na vida pública, especialmente no exercício de um mandato público eletivo, neste caso, é mera consequência. É triste, mas não assusta a quem reflita um pouco. Sim, se não se respeita a fé alheia, a vida, a família etc., que se pode mais esperar? O triunfo ou o fracasso? Esperemos que não seja necessário cantar como a ópera Nabucco de Verdi: “Ó minha pátria, tão bela e perdida”, que foi o hino patriótico dos italianos no final do século XIX. Mas o Salmo a que isso se refere (137) coloca sua confiança no Senhor: “Lembra-te, Senhor!”

Ausente de Deus, na prática a pessoa se julga um deus acima de tudo e de todos, e exige para si prerrogativas especiais acima dos demais seres humanos comuns. É a loucura de alguns governantes que, ao longo da história, atribuíram a si mesmos, inclusive, poderes divinos, ou se faziam adorar pelo povo. 

Haverá espaço para a ética aí, a não ser aquela “ética” que leva a tirar vantagens de tudo em nome dos que mais necessitam e, pior, à custa deles? A lei, no caso, será igual para todos, menos para alguns privilegiados? Teríamos dois pesos e duas medidas: na hora que convém, invocar-se-ia a Constituição do País, quando não convém, se fariam críticas ferrenhas a essa mesma Lei Maior? Lembremo-nos, porém, de que o comum não é o normal na vida das pessoas. O sonho desmedido e perpetuado de poder não combina com democracia e com progresso em nenhuma parte do mundo.

Um Estado que se pretendesse totalitário, sufocador e abocanhador das demais instituições, não conseguiria prosperar a não ser pelo império do medo e das ameaças, ou jogos sujos de atirar uns contra os outros e enquanto esses menos avisados brigassem aqui embaixo, os poderosos continuariam imunes lá em cima, usufruindo dos benefícios lícitos que o cargo lhes dá ou dos ilícitos tirados especialmente dos mais necessitados. Necessitados que esses homens e mulheres públicos tanto diriam defender.

Passando ao Brasil, em especial, devemos dizer que o momento é grave e requer o despertar e o aliar-se de todas as forças vivas da Nação, a fim de, juntos, dizermos um forte e rotundo “Não” à corrupção, venha ela de quem vier e de que esfera ou natureza for. Não se podem sacrificar os valores éticos e morais, nem se podem espezinhar os benefícios ao povo sofrido como saúde, moradia, educação, saneamento básico. Afinal, sempre é o povo humilde o mais atingido em meio a esse turbilhão de coisas, que desde algum tempo vem se abatendo sobre o Brasil.

Essas mesmas forças vivas da Nação precisam dizem “Sim” à união de todos os homens e mulheres, independentemente de seu time de futebol, da sua cor de pele, da sua condição social ou de quaisquer outras pequenas diferenças acidentais, a fim de que o mal seja combatido com seriedade, dentro da lei e da ordem e, sobretudo, sem ódio ou revolta contra quem quer que seja, nem luta entre classes. Somos todos irmãos em Cristo Jesus!

É hora de mantermos a unidade nacional, a fim de, unidos, vermos o triunfo do bem nesta Terra de Santa Cruz. Portanto, irmãos e irmãs, que todos nós – católicos, cristãos ou homens e mulheres de boa vontade em geral – apoiemos a melhoria desta grande Nação brasileira de modo firme, mas, ao mesmo tempo, cordato e pacífico, sem ódio ou incitações a revoltas. Já temos violência demais! E, assim, Deus nos abençoará com as mais copiosas graças celestiais.

Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, mãe de Jesus, o príncipe da Paz, e também nossa mãe (cf. Jo 19,25-27), dado que somos filhos no Filho (cf. Gl 4,5), intercederá sempre por nós, sobretudo nesta hora decisiva ao povo brasileiro. Amém!

 

b) Bispos brasileiros se reunirão na 54ª Assembleia Geral



A 54ª Assembleia Geral  (AG) da CNBB acontecerá no período de 6 a 15 de abril, no Centro de Eventos Padre Vítor Coelho de Almeida, em Aparecida (SP). Este ano, o tema central será “Cristãos Leigos e Leigas na Igreja e na Sociedade – Sal da Terra e Luz no Mundo”.

Entre os temas prioritários previstos, segundo informou o site oficial da CNBB, estão a “Liturgia na Vida da Igreja”, a 14ª Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, a conjuntura político-social, a mensagem “Pensando o Brasil: crises e superações” e as mudanças do quadro religioso no país.

São esperados cerca de 320 bispos ativos e eméritos, dos dezoito regionais da CNBB. Diariamente, os trabalhos da Assembleia Geral iniciam com celebração da missa com laudes, das 7h30 às 8h45, no Santuário Nacional de Aparecida, com transmissão ao vivo pelas emissoras católicas de rádio e televisão.

A reflexão do tema “Cristãos Leigos e Leigas na Igreja e na Sociedade – Sal da Terra e Luz no Mundo” foi iniciada em 2014, durante a 52ª Assembleia Geral da CNBB.




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NOTÍCIAS DA IGREJA: VATICANO E PAPA FRANCISCO


a) Francisco publicou a sua primeira foto no Instagram

O Papa estreou neste sábado, dia 19 de março a sua conta oficial na popular rede social e fez um pedido em nove línguas: “Orem por mim”.

O Papa Francisco estreou no sábado, 19 de março a sua conta oficial no Instagram, sob o nome Franciscus, coincidindo com o terceiro aniversário da missa que marcou o início de seu pontificado e com a solenidade de São José.

O Santo Padre publicou às 12h a sua primeira foto do Vaticano e fez um pedido em nove línguas aos usuários da popular rede social: “Rezem por mim”. O seu primeiro post no Instagram é uma foto de L’Osservatore Romano na qual é visto orando.


b) ALGUNS TWEETS DO PAPA EM MARÇO

1.    Abramos o nosso coração à misericórdia! A misericórdia divina é mais forte que o pecado.

2.    Com a sua proximidade e ternura, Jesus Cristo nos leva ao espaço da graça e do perdão. É nisto que consiste a misericórdia de Deus
.
3.    Pequenos gestos de amor, de ternura, de cuidado, que fazem pensar que o Senhor está conosco e assim abre-se a porta da Misericórdia.

4.    Ninguém pode ser excluído da Misericórdia de Deus. A Igreja é a casa que acolhe todos e não rejeita ninguém.

5.    A Cruz de Jesus é a Palavra com a qual Deus respondeu ao mal do mundo.

6.    Jesus Cristo ressuscitou! O amor venceu o ódio, a vida venceu a morte, a luz expulsou as trevas!

7.    Cada cristão é um «Cristóvão», isto é, um portador de Cristo!

8.    Imprime, Senhor, em nossos corações sentimentos de fé, de esperança, de caridade, de dor pelos nossos pecados.

9.    Jesus nos amou. Jesus nos ama. Sem limites, sempre, até o fim.

10. Viver a Páscoa significa entrar no mistério de Jesus que morre e ressuscita por nós.




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PROJETO DE VIDA E MISSÃO


PROJETO DE VIDA E MISSÃO DA
PROVÍNCIA SANTA RITA DE CÁSSIA (Continuação)


“Que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja plena” (Jo, 15,11)


A – MISSÃO

A Missão da Ordem dos Agostinianos Recoletos é “Proclamar o Evangelho em missões, paróquias e colégios, dando testemunho de uma vida contemplativa e comunitária dentro da Igreja. E tudo isso, através da comunhão eclesial e da missão partilhada com os leigos”.

Assim sendo, entendemos que a Missão da Província Santa Rita de Cássia –como parte integrante da Ordem- é:

“Proclamar o Evangelho em missões e paróquias,
dando testemunho de uma vida
contemplativa e comunitária na Igreja.
E tudo isso, através da comunhão eclesial
e da missão partilhada com os leigos,
seguindo as Diretrizes
da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil”.


B – DECISÕES

Iluminados por nossa Visão, e no afã de cumprir nossa Missão, em conformidade com o Projeto Vida e Missão da Ordem, reunidos no XVI Capítulo Provincial, tomamos as seguintes decisões:

C – VIDA COMUNITÁRIA

A.1 - Realizar uma reunião comunitária por semana com dia e horário devidamente prescritos no Projeto de Vida e Missão da comunidade. O conjunto das quatro reuniões mensais resultantes se organizará do seguinte modo:

·         Uma reunião destinada a celebrar o Capítulo local para programar, verificar o seguimento ou avaliar o projeto de vida e missão da comunidade.

·         Duas reuniões destinadas à formação permanente, com leitura e diálogo sobre os documentos estabelecidos no Plano de Formação Permanente ou outros conside-rados de interesse da comunidade.

·         Uma reunião destinada a celebrar o Capítulo de Renovação. Esta coincidirá com o dia de retiro das comunidades e poderá desenvolver-se de diversas formas, in-cluindo, uma liturgia penitencial.

Responsável: Prior local

A.2. - Cada comunidade estabeleça seu dia semanal de descanso, escolhendo um para o passeio comunitário mensal.

Responsável: Prior local
                 
D – VIDA DE ORAÇÃO

B.1.- Celebrar a Eucaristia da comunidade uma vez por semana e por motivo das principais festas da Ordem e nas comemorações dos religiosos (aniversário, profissão e ordenação).
Responsável: Prior local

B.2.- Realizar na meia hora de meditação, uma vez por semana, o método da Lectio Divina.
Responsável: Prior local

B.3.- Nomear uma equipe em cada região para organizar e animar os retiros mensais.
Responsável: Presidente do Secretariado de Espiritualidade

B.4.- Realizar, na medida do possível, o retiro anual em conjunto com as demais províncias em dois grupos com datas diferentes.
Responsável: Presidente do Secretariado de Espiritualidade

B.5.- Promover dois encontros regionais e dois nacionais das Fraternidades Seculares Agostinianas Recoletas e convidar as demais províncias do Brasil. No quatriênio.
Responsável: Presidente do Secretariado de Espiritualidade.


(Continua no próximo mês...)


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A Misericórdia, rosto de Deus para Santo Agostinho


Frei Enrique Eguiarte

A teologia, o pensamento e a vida cotidiana de santo Agostinho estiveram marcados pela misericórdia. Deste modo o mesmo Bispo de Hipona nos diz o que é a misericórdia, assinalando com isso não só o sentido etimológico da palavra, mas também a profunda ressonância bíblica e teológica que tal palavra deve ter na vida de todo aquele que tem fé: 

A misericórdia traz em seu nome outras duas palavras: ‘miseria’ e ‘cor’ (‘miséria’ e ‘coração’). Fala-se de misericórdia quando a miseria alheia toca e sacode teu coração. Todas as obras boas que realizamos nesta vida caem dentro da misericórdia. (s. 358, 1).p

O Pai, o Filho e o Espírito Santo

Deus é o primeiro que exercita a misericórdia. Uma misericórdia que se manifesta, em primeiro lugar, no ato da encarnação do Filho, no qual o Cristo, o Bom Samaritano (en. Ps. 125, 15), baixa dos céus para resgatar ao homem que havia perdido todos seus dons ao ter sido despojado por Satanás. Cristo é, pois, o primeiro exemplo de misericórdia e é quem revela como é a misericórdia do Pai (s. 192, 3).

Trata-se de uma misericórdia infinita e abundante (s. 47, 5), sempre a disposição do homem, que sempre será miserável e estará absolutamente necessitado dessa misericórdia divina. Por isso santo Agostinho repete em sua obra que “a misericórdia de Deus se adianta a nós (s. 112A, 6), ou que só nela está posta a esperança humana, dado que o homem por seus próprios méritos não pode fazer nada: “Nossa esperança está, pois, na misericórdia de Deus” (s. 179A, 1). De fato esta esperança o leva a fazer sua própria “profissão de fé” na manifestação desta misericórdia de Deus por meio de sua graça: “Toda minha esperança está em tua grande misericórdia. Dá o que mandas e manda o que queiras” (Conf. 10. 40).

A misericórdia de Deus nos é transmitida através do Espírito Santo, pelo qual o amor de Deus é derramado em nossos corações (Rom 5, 5): Ele é a misericórdia de Deus, “o dom de Deus, a graça de Deus, a abundancia de sua misericórdia para conosco” (s. 270, 1).

A misericórdia praticada pelo homem

Esta mesma misericórdia de Deus, ao ser a esperança dos pecadores, deve ser acima de tudo um chamado à conversão, e não uma desculpa para pecar. Por isso santo Agostinho acentua de maneira paralela a misericórdia de Deus, junto com sua justiça, dizendo que o tempo presente é tempo de misericórdia, mas que depois virá o momento do juízo: “Cantaremos ao Senhor a misericórdia e o juízo; primeiro se envia a misericórdia, depois se faz o julgamento. A separação ocorrerá no julgamento. Agora, escute-me o que é bom, e faça-se melhor; escute-me também o mal, e converta-se em bom enquanto é tempo de arrependimento e antes que seja proferida a sentença”. (s. 250, 2) .

Neste juízo final haverá misericórdia para quem foi misericordioso, mas não para quem a negou, como no caso do rico néscio da parábola do pobre Lázaro, caso que é comentado por santo Agostinho como uma exortação a pratica da misericórdia neste tempo de peregrinação, antes de chegar o dia do julgamento: Deu-se conta de que lhe era negada a misericórdia que ele havia negado. Deu-se conta de que é certo que haverá um juízo sem misericórdia para quem não a teve (s. 41, 4).

As obras de misericórdia

E precisamente a misericórdia de Deus deve ser um modelo e paradigma para o ser humano, para que ele por sua vez seja misericordioso com aqueles que o rodeiam. Neste sentido santo Agostinho exorta às diversas obras de misericórdia, acentuando que a primeira obra de misericórdia que uma pessoa deve realizar é para com sua própria alma; deve considerar o destino eterno de seu próprio ser e evitar o pecado para poder alcançar o reino dos céus. “Praticai a esmola autêntica. Que é a esmola? A misericórdia. Escuta a Escritura: Compadece-te de tua alma agradando a Deus. Pratica a esmola: compadece-te de tua alma agradando a Deus. Tua alma mendiga ante tuas portas; regressa a tuas consciências” (s. 106, 4).

E com todas as demais obras de misericórdia, santo Agostinho antes de tudo indica a esmola e a ajuda aos pobres, pois esta encerra uma dupla obra de misericórdia, já que quem dá esmola pessoalmente, por um lado se compadece do pobre, por outro lado é misericordioso consigo mesmo ao saber-se limitado e necessitado: “Outra advertência quero vos fazer: sabei que quem dá pessoalmente algo aos pobres realiza uma dupla obra de misericórdia” (s. 259, 5).

Santo Agostinho nos exorta a realizar obras de misericórdia a toda pessoa que nos pede. Não obstante, em situações particulares ou em doações de certo valor, santo Agostinho é o único Padre da Igreja que se faz eco, curiosamente, de uma frase da Didaché (1.6): “e a Escritura diz em outro lugar: Que esmola transpire em tuas mãos até que encontres o justo a quem deves entregá-la (en. Ps. 146, 17). Embora seja certo que santo Agostinho crê que esta frase é da Escritura, o fundamental é que nos exorta a fazer bem o bem, ou seja, a praticar a misericórdia com sapiência e prudência.

O Agostinho misericordioso

O mesmo santo Agostinho será uma pessoa que em sua prática pastoral manifestará a misericórdia, tanto pessoalmente, dando aos pobres o que pode e tem, como por meio de duas instituições episcopais em sua diocese de Hipona, como foram a matricula pauperum (ep. 20*, 2) e o xenodochium (s. 356, 10). A primeira era uma lista das pessoas ou famílias mais pobres, às quais socorria periodicamente com os alimentos e elementos necessários. O xenodochium era um albergue onde se ajudava os estrangeiros, peregrinos, pobres e necessitados da diocese de Hipona.

E este exemplo de misericórdia de seu pastor levou o povo fiel de Hipona a imitar seu comportamento, de modo que em uma ocasião em que santo Agostinho estava ausente, os leigos reuniram uma boa quantia de dinheiro para resgatar a mais de 200 pessoas que haviam sido sequestradas e eram levados para ser vendidos como escravos. O exemplo da misericórdia de Deus e de Cristo havia levado Agostinho a ser misericordioso, e seu próprio exemplo levou seus fieis a imitar suas ações. Obviamente, quando teve conhecimento do fato, o santo não pode senão louvar a fé e a misericórdia de seus fieis (ep. 10*, 7).

Em um mundo sem misericórdia como o nosso, poder resgatar a misericórdia em seu sentido mais evangélico e agostiniano será, sem dúvida, uma alternativa e a solução a muitos dos problemas que afligem a humanidade, particularmente o da falta de valores e de coração no mundo.




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CATEQUESE E A PÁSCOA





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DÍZIMO E DIZIMISTAS ANIVERSARIANTES


Dízimo é uma forma de experimentar o grande amor que Deus tem para todos aqueles que confiam na sua Palavra e nos seus ensinamentos, como diz a Sagrada Escritura: “Façam a experiência comigo, diz o Senhor”(Ml 3,10).

Deus convida a cada um de nós para fazermos esta experiência de amor para com Ele.

Quantas pessoas já fizeram e hoje são felizes, porque acreditaram na Palavra de Deus e nesta experiência de amor.

Você que é católico e ama a sua Igreja, e quer que ela funcione bem, contribua com o Dízimo, mas faça-o com alegria!

Eis os nossos dizimistas aniversariantes deste mês de abril:

Antonino Eterno
Aparecida Maria da Silva Almeida
Bernadeth Irene Cruz
Clementina Sartorelli
Edna Carrilho Britto
Eglair Nascimento Cruz
Eliar Rodrigues Marques
Flavio Vichiesi
Gilberto Pereira de Soyuza
Ieda Marques Rodrigues
João Ferreira 
José Antonio M.da Silva Neto
José Carlos Lodetti  
Juventina M. de Souza Assis
Keila Cristina Rodrigues Silva
Márcia Pereira de Souza
Maria Julia Pacciullia Sellan
Maria Lúcia Pereira Renófio
Maria Soares Moreira
Mariane Rostovcev Pirani
Reinaldo Jeronymo
Rosilene Jorge Guimarães Almeida
Setuo Noda
Sonia Maria Nunes da Silva
Teresa Luiz de Melo

PARABÉNS!!!


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