quinta-feira, 8 de setembro de 2016

NOTÍCIAS DA IGREJA: REGIÃO EPISCOPAL LAPA - SÃO PAULO / CAPITAL

VISITAR OS ENCARCERADOS

Jesus viveu pessoalmente a experiência da perseguição, da prisão, do julgamento e da condenação à pena de morte. Esse sofrimento continua em um número cada vez maior de detentos e encarcerados de nossa sociedade. Mesmo sofrendo a angústia mortal ao ponto de suar sangue e de se sentir abandonado pelo Pai, Jesus encontrou forças para prometer a um de seus companheiros de cruz: “Hoje estarás comigo no paraíso”.

São Paulo exorta: ‘Recordai-vos dos encarcerados, como se fôsseis companheiros de cárcere deles’ (Hb 13,3).

Jesus não se envergonhou de se identificar com o encarcerado: “estava na prisão e fostes me visitar”. A importância e atualidade dessa obra de misericórdia ficam evidentes quando nos damos conta da multidão que vive hoje encarcerada. O número de encarcerados no Brasil é de 607.700 (primeiro semestre de 2014). É a quarta maior população carcerária do mundo. Se a população encarcerada continuar a crescer no mesmo ritmo dos últimos anos, estima-se que em 2075 um em cada 10 brasileiros estará encarcerado.

Há uma preocupação cada vez maior por segurança. Infelizmente pouco nos preocupamos em oferecer ajuda aos detentos e, menos ainda, em humanizar as prisões. Ao longo de dois milênios a prática da visita aos encarcerados nunca se interrompeu. O nome “penitenciária” sugere penitência, e é justo que ele seja um lugar para tal. Mas a penitência está sempre associada ao perdão. Mesmo que o processo jurídico tenha seu curso, é preciso que o perdão nunca esteja ausente da imposição e do cumprimento da pena.

Uma sociedade em que o perdão diminui está condenada a viver altas taxas de vingança e de crueldade. A visita aos encarcerados não suprime nem culpa nem punição, mas pode tocar o coração de quem sofre justa punição. A visita ajuda o cárcere a ser menos desumano e a se tornar um lugar de mudança do coração. Muitos não podem ou não conseguem visitar os cárceres. Podem, porém, usar a criatividade da misericórdia. Por exemplo, a proximidade e a ajuda aos familiares dos encarcerados são de extraordinária eficácia e revela sublime delicadeza.

Outra prática criativa é a de escrever aos encarcerados, dirigir-lhes palavras de conforto, de encorajamento na superação da pena e de sincera solidariedade. Há testemunhos belíssimos de pessoas que ajudaram encarcerados mantendo uma correspondência com eles. Uma das necessidades nunca atendida pelos agentes da Pastoral carcerária é a distribuição de Bíblias a tantos encarcerados que gostariam de ter a sua própria. Que tal, doar uma Bíblia a um encarcerado, acompanhada de uma cartinha de encorajamento e de compromisso de oração?

Como gesto concreto do Jubileu da Misericórdia, estamos fazendo uma campanha de doação de bíblias aos encarcerados. Convido-o a participar desse mutirão da Misericórdia. 

Por fim, gostaria de convidá-lo(la) à oração: quando passar diante de uma penitenciária, do mesmo modo quando você passa diante de uma igreja, lembre-se que lá está presente Jesus, eleve o coração a Deus e interceda por todos os irmãos e irmãs privados de liberdade. Reze também pelos seus familiares e pelos agentes penitenciários. Todos eles muito necessitam de nossas preces.

Sede misericordiosos como o Pai é misericordioso!


Dom Julio Endi Akamine, SAC Bispo Auxiliar de São Paulo Vigário Episcopal Região Lapa


Jornal Online “A Voz de Lourdes” – Setembro de 2016Compilação e Edição: Sérgio Bonadiman - Revisão e Publicação: Dermeval NevesResponsabilidade: PASCOM Paróquia Nossa Senhora de Lourdes - Vila Hamburguesa - SPSite da Paróquiahttp://www.pnslourdes.com.br

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