sexta-feira, 1 de março de 2019

NOTÍCIAS DA IGREJA: CNBB

POLÍTICAS PÚBLICAS E FRATERNIDADE

Campanha da CNBB é um convite à ação dos cristãos em prol da justiça e paz social

*Dom Odilo P. Scherer, O Estado de São Paulo

Em geral, as grandes festas das religiões são precedidas por um tempo de preparação com jejuns, peregrinações, ritos de purificação, ações solidárias e caritativas. Para a Igreja Católica e as demais igrejas de origem cristã, em geral, esse tempo corresponde à Quaresma, celebrada como preparação para a Páscoa dos cristãos, que é a mais importante das festas cristãs.

No nosso país, junto com o chamado à oração intensa, o jejum e a penitência para a conversão a Deus, e junto com o incentivo às obras de misericórdia e caridade, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) promove todos os anos a Campanha da Fraternidade (CF), na forma de uma chamada à responsabilidade social e pública dos cristãos. Os temas da CF, em geral, são de cunho social e lembram que a religiosidade cristã verdadeira não deve desvincular o amor a Deus do amor ao próximo. A vivência da fraternidade e o reconhecimento concreto de que o próximo, sem discriminação alguma, é alguém semelhante a nós e partilha conosco a mesma dignidade humana. No cristianismo, o próximo é um filho de Deus e um irmão, membro da mesma família humana que também nos abriga.

Jesus Cristo ensinou que a fé religiosa e o amor a Deus são autênticos somente quando têm como consequência o amor ao próximo, o respeito pela sua dignidade e o justo apreço por toda a obra de Deus. A fé cristã leva necessariamente ao envolvimento com os acontecimentos existenciais da história humana e as situações sociais, econômicas e políticas da comunidade em que vivemos. Longe, portanto, de confirmar a tese marxista de que a religião leva à alienação do mundo e de seus problemas cotidianos, a fé cristã católica requer a participação na edificação de um mundo justo e solidário, bom para todos.

Compreendemos, assim, as frequentes orientações da Doutrina Social da Igreja, explicitadas em numerosas encíclicas pontifícias e em outros documentos, bem como os apelos do Magistério da Igreja em favor da paz, da justiça social e econômica, do respeito à dignidade da pessoa, em favor das populações mais excluídas dos bens da civilização e expostas a todo tipo de riscos e violências. A instituição eclesial, embora sem a pretensão de assumir o exercício do poder político de governo, tem como parte de sua missão encorajar os católicos e quantos queiram ouvir suas diretrizes a abraçarem suas responsabilidades na promoção do bem comum e da ordem social justa e pacífica. O papa Francisco tem repetido com frequência que os católicos, como cidadãos de seus países, devem ser participativos nas responsabilidades sociais e públicas, em benefício da vida dos seus povos e de outros povos também.

O tema da Campanha da Fraternidade deste ano, Políticas públicas e fraternidade, à primeira vista pareceria desvinculado da religiosidade das pessoas. Engana-se quem acha que esse tema nada tem que ver com a fé e a moral religiosas, nem com a missão da Igreja. A vida social, política e econômica oferece o contexto em que a fé deve ser inserida na história, para tornar concreto o nosso amor a Deus e ao próximo. É nesses contextos, entre outros, que devem ser promovidos o respeito pela dignidade humana e a fraternidade entre todas as pessoas.

Políticas públicas voltam-se para a promoção do bem comum, em favor de todos os membros da sociedade, sem distinção, e devem assegurar, por exemplo, o acesso aos bens da saúde, da educação e da segurança para todos. Ao mesmo tempo, devem assegurar oportunidades de trabalho e uma ordem econômica equilibrada e justa, com condições dignas de vida para todos e respeito aos direitos fundamentais dos cidadãos, previstos na Constituição. Por meio de políticas públicas sábias e bem conduzidas se promoverão a equidade social e econômica e as condições para que os mais pobres superem sua vulnerabilidade social e econômica.

A promoção de políticas públicas é da responsabilidade dos governos, em todos os níveis. Mas seria um erro pensar que isso depende apenas dos governos, como pode acontecer em sociedades pouco democráticas e com poderes muito centralizados. Também a sociedade civil organizada precisa participar da elaboração e implementação de políticas públicas. Estas tampouco devem ser ditadas simplesmente pelo mercado, que por si só não consegue estabelecer a ordem social justa e a paz. A promoção adequada de políticas públicas é feita mediante a interação fecunda do Estado com o mercado e a variedade das organizações e expressões da sociedade civil. Isso é possível apenas em regimes democráticos, em que a sociedade civil organizada participa ativamente da vida política com propostas e controles, segundo as necessidades da população.

E aqui reencontramos o significado do tema da CF deste ano. O envolvimento na definição e promoção de políticas públicas também decorre dos ditames da fé em Deus e da moral cristã. Os cristãos devem empenhar-se na promoção de políticas públicas que não estejam atreladas apenas aos interesses de grupos restritos, muitas vezes já favorecidos e poderosos. A justiça e a paz social requerem a definição e a promoção de políticas públicas que não estejam orientadas pela afirmação das vantagens de quem já possui mais do que o necessário. Não devem ser esquecidos os descartados do sistema, os pobres, os idosos, os enfermos e os grupos sociais mais vulneráveis.

É isso que está implicado no tema Políticas públicas e fraternidade. A Campanha da Fraternidade da CNBB é um convite a refletir e a promover, com medidas eficazes, uma sociedade mais justa e equânime no Brasil. Para concretizar a fraternidade e a paz social requerem-se políticas públicas sábias e eficazes, construídas e promovidas mediante um esforço conjugado entre Estado e sociedade civil, em que os cristãos têm muito a contribuir.
*CARDEAL-ARCEBISPO DE SÃO PAULO


Congresso Catequistas Brasil reúne cerca de 2 mil catequistas em Aparecida

Ocorreu entre os dias 8 e 10 de fevereiro, no Centro de Eventos Pe. Vitor Coelho de Almeida, em Aparecida (SP), o primeiro Congresso Catequistas Brasil. O evento promovido pela revista Paróquias, reuniu cerca de 2 mil catequistas vindos de diversas partes do Brasil e contou com a presença das principais editoras católicas.


Com o objetivo de contribuir para a missão de evangelização e união dos catequistas de todas as regiões do Brasil, o congresso promoveu uma variedade de palestras e oficinas. Para isso, a PAULUS levou alguns de seus principais autores – Pe. Vanildo de Paiva, Pe. Humberto Robson, Marlene Silva, Deivid Tavares, ssp, Ramires Henrique de Andrade e Rogério Bellini – para falar sobre temas como: Iniciação Cristã de adultos; Dinâmicas para catequese; Espiritualidade do catequista e os desafios da catequese.

Segundo Pe. Vanildo de Paiva, o congresso Catequistas Brasil é uma expressão viva de comunhão e do que é ser igreja. “Pessoas diferentes, de lugares distintos, unidas pelo mesmo propósito. Além de ser um espaço de encontro e partilha é uma experiência de fé com o Cristo”, afirmou o autor.


A PAULUS aproveitou a oportunidade para apresentar aos catequistas a nova publicação da revista Ecoando – Formação Interativa com Catequistas. Agora totalmente reformulada, com uma linguagem acessível e estilo visual moderno, a revista traz conteúdos catequéticos e formativos, buscando colaborar para o melhor desempenho das atividades de iniciação à vida cristã das comunidades e paróquias.

Ao longo dos três dias de formação, os catequistas se desdobraram para participar de encontros repletos de novos conhecimentos. Na sexta-feira (08), Pe. Zezinho deu abertura às atividades com a palestra “Catequese dos Sinais”.

Ao longo da partilha, Pe. Zezinho afirmou que os sinais existem, apesar de algumas pessoas não precisarem deles, outros necessitam: “Sim, os sinais existem. Se você pede, Deus dá. Mas se não der, Ele vai dar o consolo e a Palavra. E a Palavra salva. Os sinais devem estar junto com o conteúdo da Palavra”, disse. Na sequência, especialistas discutiram sobre os temas “Comunicação na Catequese” e “Uma catequese em vista da missão”. Também na sexta-feira, Pe. Vanildo de Paiva subiu ao palco do Ginásio para falar sobre Catequese e Liturgia em perspectiva mistagógica. O autor da PAULUS ressaltou ao longo de sua palestra que a Catequese e Liturgia jamais podem caminhar separadas, pois ambas estão a serviço do encontro, da aproximação e do discipulado. “A natureza delas é diferente, mas uma conduz a outra”, afirmou.

Na manhã de sábado, o Pe. Humberto Robson de Carvalho levou centenas de catequistas a refletirem sobre espiritualidade. Para o sacerdote, a espiritualidade é a busca do mover do Espírito Santo. Assim, os catequistas são, por excelência, aqueles que cultivam a busca pelo Sagrado nas pessoas e na sociedade.


Um dos temas mais discutidos ao longo do evento foi a Iniciação Cristã de adultos. Para falar sobre o assunto, foi convidada a catequista Marlene Silva, com mais de 50 anos de experiência na área.  Ao longo da palestra a catequista expôs os apelos da Igreja em relação ao grande número de adultos que estão com sede da palavra e que querem conhecer a Cristo. Além disso, Marlene falou sobre a importância e o motivo pelo qual a catequese de adultos vem se tornado prioridade da Igreja. “A prática com adultos era algo inicial da Igreja, depois foi se alterando ao longo dos séculos e voltou com o Vaticano II, que estabeleceu a restauração do catecumenato. O documento 107 da CNBB retificou o desejo da Igreja, pois se nós não tivermos adultos evangelizados, como vai ser feita a transmissão da fé para as crianças? O adulto pode dar uma resposta de fé mais madura e ser testemunha na sociedade”, concluiu.

O seminarista paulino Deivid Tavares, ssp, trabalhou com os participantes a importância do canto e da música dentro da catequese. Ao longo da oficina Deivid propôs dinâmicas entre os catequistas ajudando-os a descobrir elementos importantes da música, como: ritmos, melodias, gestos, expressões e danças que podem ajudar na evangelização e animação dos encontros catequéticos.

À tarde os autores da PAULUS estiveram novamente em ação. Com o tema “Catequese e Bíblia”, Ramires Henrique de Andrade apresentou aos catequistas algumas chaves de leitura para ajudar a fazer uma correta interpretação dos textos a partir dos principais métodos de estudo da Bíblia.


A última oficina do sábado foi conduzida por Rogério Bellini. Com a sala completamente cheia, o palestrante trouxe um novo olhar sobre as dinâmicas na catequese. Segundo Bellini, a maioria dos catequistas acredita que dinâmicas de catequese se resumem a jogos e brincadeiras para descontrair os encontros. “Meu objetivo foi mostrar que a partir do lúdico podemos fazer reflexões e repensar nossos comportamentos. O catequista precisa fazer a leitura do grupo de catequese por meio da aplicação do jogo”, contou.

No domingo, a Editora ficou responsável pela abertura do evento. O consultor de Catequese da PAULUS, Altierez dos Santos ministrou para os 2 mil participantes a palestra: Catequese de iniciação Cristã. O consultor considerou o evento uma demonstração do vigor da catequese na sociedade atual.  As obras da PAULUS com o tema Iniciação à vida cristã estavam em destaque no estande da editora.

 

70 MIL ROMEIROS PARTICIPAM DO TERÇO DOS HOMENS EM APARECIDA

Thiago Leon/A12

“Munidos com o Terço nas mãos ou no pescoço, vestidos com camisetas que mostravam a sua origem, 70 mil homens estiveram reunidos na Casa da Mãe Aparecida no sábado, 17, na Romaria do Terço dos Homens em Aparecida (SP). ”

A notícia foi publicada no site do Santuário de Aparecida e divulgou dados da 10º Romaria Nacional do Terço dos Homens.

Em 2018, a romaria completa dez anos, e essa data recorda o quanto o movimento do Terço dos Homens cresceu no Brasil. O Arcebispo de juiz de Fora (MG), Dom Gil Antônio Moreira, Bispo Referencial do Movimento, disse, em entrevista ao site A12, que esse crescimento mostra a força da ação dos leigos e da fé. “Na primeira romaria, nós tínhamos 600 homens e agora, depois de dez anos, nós temos essa multidão que não cabe mais dentro do Santuário. Então, esse crescimento é uma grande bênção para a Igreja no Brasil”, assinalou. 

O tema deste ano foi “Terço dos Homens, em comunhão com as vocações, resgatando Famílias”. O Arcebispo recordou, na homilia da missa, uma mensagem do Papa Francisco sobre a força criadora de Maria, Mãe de Jesus.

“Maria é aquela que sabe transformar um curral de animais em casa de Jesus, com pobres paninhos e uma montanha de ternura. Muitas vezes, nossos lares podem se parecer muito mais com um curral de animais, com materialismo e até violência, mas Maria indo a essa casa sabe transformá-la em casa de Jesus”.

Romeiros de todo o País participaram da missa campal, que começou às 7h30.

No meio da multidão, Eraldo de Souza se distinguia carregando um grande Terço, que segurou com os braços estendidos durante toda a missa. Ele foi com um grupo de 145 homens da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, da cidade de Corrente, no Piauí, distante 2 mil quilômetros do Santuário de Aparecida. 

À tarde, houve a oração do Terço no altar central do Santuário. “No dia 19 de agosto, completam-se 40 anos que a imagem de Nossa Senhora Aparecida, depois de sofrer um atentado, voltou para a sua casa restaurada, tal e qual Deus a fez pela mão do artista. No próximo dia 19 de agosto, que foi o dia que ela voltou para a Casa, faremos uma grande carreata de São Paulo a Aparecida, trazendo a imagem de Nossa Senhora Aparecida”, informou João Batista de Almeida, Reitor do Santuário. Em 2019, a 11ª Romaria do Terço dos Homens será realizada nos dias 15 e 16 de fevereiro. 

Fonte: A12




Jornal Online “A Voz de Lourdes” – Março de 2019
Compilação e Edição: Sérgio Bonadiman - Revisão e Publicação: Dermeval Neves
Responsabilidade: PASCOM Paróquia Nossa Senhora de Lourdes - Vila Hamburguesa – SP
Site da Paróquia: http://www.pnslourdes.com.br

NOTÍCIAS DA IGREJA: PAPA FRANCISCO

PAPA FRANCISCO: "NA ORAÇÃO CRISTÃ NÃO HÁ ESPAÇO PARA O EU"


Na audiência geral, Francisco lembrou que o 'Pai Nosso' não é uma oração individualista: "No diálogo com Jesus, não deixamos o mundo fora da porta do nosso quarto... levamos as pessoas e situações em nosso coração!"

Na catequese pronunciada esta quarta-feira (13/02), o Papa propôs uma reflexão sobre o ‘Pai Nosso’, explicando como rezar melhor a oração que Jesus nos ensinou.

A Sala Paulo VI, dentro do Estado do Vaticano, ficou repleta de fiéis, romanos e turistas que receberam o Papa com o carinho de sempre, cantos e aplausos e em seguida, ouviram suas palavras com atenção.

Introspecção do diálogo com Jesus


Para rezar - iniciou o Papa - são necessários silêncio e introspecção.

“A verdadeira oração se realiza no segredo na consciência, do fundo do coração: com Deus é impossível fingir, é como o olhar de duas pessoas, o homem e Deus, quando se cruzam”. Mas apesar disso, Jesus não nos ensina uma oração intimista ou individualista. Não deixamos o mundo fora da porta do nosso quarto... levamos as pessoas e situações em nosso coração!

“ Na oração do Pai Nosso, há uma palavra que brilha pela sua ausência: uma palavra que em nossos tempos – como talvez sempre – todos consideram importante: a palavra ‘eu'. ”

Primeiramente nos dirigimos a Deus como a Alguém que nos ama e escuta (seja santificado o vosso nome, venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade) e, depois, quando lhe apresentamos uma série de petições (dai-nos hoje o nosso pão cotidiano, perdoai as nossas ofensas, não nos deixeis cair em tentação, livrai-nos do mal), as fazemos na primeira pessoa do plural – “nós” – isto é, rezamos como uma comunidade de irmãos e irmãs.

“Até as necessidades mais elementares do homem – como ter alimento para saciar sua fome – são todas feitas no plural. Na oração cristã, ninguém pede o pão para si, mas o suplica para todos os pobres do mundo”, disse Francisco.

Pedir a Jesus que nos faça ter compaixão


Na oração, o cristão leva todas as dificuldades e sofrimentos de quem está ao seu lado, tanto dos amigos como de quem lhe faz mal, imitando a compaixão que Jesus sentia pelos pecadores.

Mas pode acontecer – ressalvou o Papa – que alguém não perceba o sofrimento a seu redor, não sinta pena pelas lágrimas dos pobres, fique indiferente a tudo. Isto significa que seu coração está petrificado. Neste caso, seria bom pedir ao Senhor que o toque com o seu Espírito e sensibilize seu coração.

“Cristo não ficou alheio às misérias do mundo. Toda vez que percebia uma solidão, uma ferida no corpo ou no espírito, sentia forte compaixão. ”

Às 7 mil pessoas presentes, o Papa perguntou: “Quando rezamos, nos abrimos ao grito de tanta gente, próxima ou distante? Ou penso na oração como uma espécie de anestesia, para ficar mais tranquilo? Isto seria um terrível equívoco”.

A oração deve abrir o coração ao próximo para que amemos com um amor compassivo e concreto, sabendo que tudo aquilo que fizermos “a um destes meus irmãos mais pequeninos, -afirma Jesus - foi a mim mesmo que o fizestes”


PAPA À COMUNIDADE PATRÍSTICA: SEJAM FIÉIS ÀS RAÍZES PARA AJUDAR A VIDA DE HOJE DA IGREJA


Andressa Collet – Cidade do Vaticano

O Papa Francisco recebeu na manhã deste sábado (16), na Sala Clementina, no Vaticano, a comunidade acadêmica do Instituto Patrístico Augustinianum de Roma, por ocasião dos 50 anos de fundação da escola. Logo no início do discurso aos docentes, alunos, conselheiros, colaboradores e administradores da faculdade, o Pontífice se congratulou com todos pelo aniversário jubilar, enaltecendo o valor dos sábios em idade avançada, os professores em pensão, que “quando chegam naquela idade são de uma simplicidade grandiosa, que faz muito bem”.

Meio século de contribuição à tradição católica

 

Ao dar graças a Deus por tudo que o instituto realizou nesse meio século de vida, o Papa voltou às origens e à tradição da Ordem Agostiniana em Roma, com os estudos “dedicados às ciências sagradas, em especial aos Pais da Igreja, a Santo Agostinho e seu legado”. O Augustinianum “foi fundado para contribuir a preservar e transmitir a riqueza da tradição católica, sobretudo a tradição dos Pais”, disse o Papa.

“Essa contribuição é essencial para a Igreja. Foi sempre, mas especialmente na nossa época, como afirmou São Paulo VI no discurso de inauguração do Instituto: ‘o retorno aos Pais da Igreja’, disse ele, ‘faz parte do recuperar as origens cristãs, sem as quais não seria possível atuar na renovação bíblica, na reforma litúrgica e na nova pesquisa teológica pretendida do Concílio Ecumênico Vaticano II’ (4 de maio de 1970). ”

Francisco também citou São João Paulo II, quando visitou a escola em 1982, enaltecendo os valores do instituto que ajudam a “conhecer melhor Cristo e a conhecer melhor o homem”, num conhecimento que ajuda “a Igreja na sua missão” (7 de maio de 1982).

Responsabilidade na vida da Igreja

 

O Papa, então, usou da recente Constituição Apostólica Veritatis gaudium e o exemplo de Santo Agostinho para incentivar a comunidade patrística:

“Encorajo vocês a serem fiéis às suas raízes e à sua tarefa; a perseverar no empenho de comunicar os valores intelectuais, espirituais e morais que possam preparar os seus estudantes a participar com sabedoria e responsabilidade na vida da Igreja e nos debates sobre os desafios cruciais do nosso tempo. Tal serviço é estreitamente ligado à evangelização e contribui a promover o crescimento da família humana em direção à sua definitiva plenitude em Deus (Const. Ap. Veritatis gaudium, 1). ”

Francisco finalizou o discurso exortando a rezarem um pelo outro, porque se faz necessário e “é importante numa instituição”, para que o Senhor anime no empenho diário de pesquisa, ensinamento e estudo.

Escola patrística de excelência de Roma

 

O Augustinianum é um instituto de especialização e pesquisa teológica patrística, onde a Tradição da Igreja, ou seja, a transmissão viva da fé cristã dos primeiros séculos ocupa um lugar de destaque. O instituto completa meio século de experiência na didática e na pesquisa, formou estudiosos que hoje ensinam em universidades pontifícias de prestígio, além de leigos de todo o mundo. Inclusive os professores representam uma excelência no panorama científico católico internacional.

O Pe. Alejandro Moral Antón, Prior Geral dos Agostinianos e Moderador geral do Instituto, ao saudar o Papa salientou o legado do patrono Santo Agostinho, prometendo estudar os autores de um passado distante, “mas sempre fecundo, empenhando-se a viver e a transmitir às gerações futuras o frescor e a alegria do Evangelho”.


TUTELA DOS MENORES

PAPA FRANCISCO: ESCUTEMOS O GRITO DOS PEQUENOS QUE PEDEM JUSTIÇA

No início da manhã desta quinta-feira (21), o Papa Francisco introduziu os trabalhos do primeiro dia do encontro inédito sobre a proteção dos menores dentro da Igreja. A conferência reúne, pela primeira vez, os presidentes das Conferências Episcopais de todo o mundo no Vaticano para abordar o tema.

O Papa começou o encontro afirmando do seu forte desejo de responsabilidade em interpelar Patriarcas, Cardeais, Arcebispos, Bispos, Superiores Religiosos e Responsáveis “diante da chaga dos abusos sexuais perpetrados por homens da Igreja em detrimento dos menores”. Todos juntos e “com a docilidade” da condução do Espírito Santo, “escutemos o grito dos pequenos que pedem justiça”.

“ O santo Povo de Deus nos vê e espera de nós não simples e evidentes condenações, mas medidas concretas e eficazes a serem realizadas. ”

Responsabilidade pastoral e eclesial

O Pontífice pediu que o encontro tivesse a incumbência do “peso da responsabilidade pastoral e eclesial que nos obriga a discutir juntos, de maneira sinodal, sincera e aprofundada sobre como enfrentar esse mal que aflige a Igreja e a humanidade. O santo Povo de Deus nos vê e espera de nós não simples e evidentes condenações, mas medidas concretas e eficazes a serem realizadas. São necessárias medidas concretas”, acrescentou Francisco.

O Papa enalteceu, então, que o percurso de todos através desse encontro, no Vaticano, começa “armados da fé e do espírito de máxima parresia, de coragem e concretude”.

Como subsídio, disse Francisco, “me permito compartilhar com vocês alguns importantes critérios, formulados pelas diversas Comissões e Conferências Episcopais que chegaram até nós. São orientações para ajudar a nossa reflexão que serão entregues a vocês. São um simples ponto de partida que veio de vocês e volta para vocês”.

Transformar o mal em consciência e purificação

O Papa Francisco, então, agradeceu a Pontifícia Comissão para a Proteção dos Menores, a Congregação para a Doutrina da Fé e os membros da Comissão Organizadora pelo “excelente trabalho desenvolvido com grande empenho em preparar este encontro”. E o Pontífice finalizou:

“ Peço ao Espírito Santo de nos sustentar nestes dias e de nos ajudar a transformar esse mal em uma oportunidade de consciência e de purificação. A Virgem Maria nos ilumine para buscar curar as graves feridas que o escândalo da pedofilia causou seja nos pequenos que nos crentes. ”

Ouvir as vozes das vítimas

Os trabalhos do encontro iniciaram com uma oração, durante a qual alguns testemunhos de vítimas foram compartilhados – de quem não pôde falar ou foi silenciado. Os presentes na conferência elevaram as próprias orações para que cada um pudesse ouvir aqueles que “foram violados e feridos, maltratados e abusados”, reconhecendo “as feridas do povo para que seja feita justiça”.

“Não consentir que os nossos fracassos”, foi a oração ao Senhor, “façam os homens perderem a fé em ti e no teu Evangelho”. Um longo e denso silêncio seguiu a uma das experiências que foram lidas:

“Ninguém me escutava; nem os meus pais, nem os meus amigos, nem depois as autoridades eclesiásticas. Não me escutavam e nem mesmo o meu choro. E eu me questiono: por quê? E me questiono por que Deus não me escutou? ”





Jornal Online “A Voz de Lourdes” – Março de 2019
Compilação e Edição: Sérgio Bonadiman - Revisão e Publicação: Dermeval Neves
Responsabilidade: PASCOM Paróquia Nossa Senhora de Lourdes - Vila Hamburguesa – SP
Site da Paróquia: http://www.pnslourdes.com.br

CATEQUESE

A Campanha da Fraternidade 2019 na Catequese com as crianças


Crianças que se envolvem na catequese precisam acompanhar de perto o que a comunidade está vivendo. Temos uma oportunidade para explicar um pouco a sequência do ano litúrgico e a importância do tema escolhido para este ano.

Não vamos pedir às crianças que assumam posturas de adultos diante da realidade nacional, mas precisamos preparar os catequizandos desde cedo para analisar o que acontece à sua volta. Eles precisam também entender que trabalhar pela paz, pela justiça e pelos direitos humanos não é algo à parte, é comportamento essencial que Deus sempre nos pediu.

Além de ser uma exigência do seguimento de Jesus, é também um caminho melhor para a humanidade. Tudo isso é pedido porque Deus, como bom Pai, quer ver seus filhos respeitados e felizes e, viver com dignidade, não é condição só para alguns, mas para todos, porque, de fato, só se vive em paz quando todos estão bem atendidos.

Podemos até achar que crianças não têm poder para transformar a realidade nacional, mas é bem comum vermos adultos envergonhados quando fazem algo errado e por perto há crianças que não aprovam suas ações e até dão bons exemplos que mexem com os sentimentos de quem está olhando. O que for refletido nos encontros pode envolver também as famílias quando as crianças conversam sobre o que pensam e quando, nesses momentos, incluem os parentes na análise do que veem nos jornais, na televisão, na internet, nas ruas, na realidade social.

O que aqui está sugerido pode ser adaptado de acordo com a situação de cada grupo e com a criatividade dos catequistas. Vamos ensinar coisas importantes às crianças, mas também vamos aprender com elas, olhando o mundo com a pureza do olhar infantil. Afinal, Jesus mesmo disse: “ Deixai as crianças e não as impeçais de virem a mim; porque a pessoas assim é que pertence o Reino dos Céus” (Mt 19,14).




“Temos aqui a oportunidade de explicar um pouco a sequência do ano litúrgico e a importância do tema Fraternidade e Políticas Públicas, promovido pela da Campanha da Fraternidade 2019. É preciso preparar os catequizandos desde cedo para analisar o que acontece a sua volta. Eles precisam também entender que trabalhar pela paz, pela justiça e pelos direitos humanos não é algo à parte, é comportamento essencial que Deus sempre nos pediu. Além de ser uma exigência do seguimento de Jesus, é também um caminho melhor para a humanidade. ”




Jornal Online “A Voz de Lourdes” – Março de 2019
Compilação e Edição: Sérgio Bonadiman - Revisão e Publicação: Dermeval Neves
Responsabilidade: PASCOM Paróquia Nossa Senhora de Lourdes - Vila Hamburguesa – SP
Site da Paróquia: http://www.pnslourdes.com.br

PASTORAL FAMILIAR

7 PASSOS PARA A FAMÍLIA VIVENCIAR BEM O TEMPO QUARESMAL

Foto: Heraldo Lima

Estamos vivendo o tempo da Quaresma, no qual, a Igreja nos convida a um período de reflexão e maior espiritualidade em preparação para a Páscoa. As principais práticas deste tempo são a oração, a caridade e o jejum.

Para as famílias, é possível encontrar um caminho prático para uma vivência especial da Quaresma. Elencamos sete passos que podem auxiliar sua família a se preparar bem para a Ressurreição do Senhor.

1. O evangelho em família
A Palavra de Deus sempre indica a direção que devemos seguir. Ler e meditar a cerca dos evangelhos propostos para esse tempo é um ótimo começo.

2. Promover a solidariedade

Educar nossos filhos a olhar para os mais necessitados permite-nos conversão do egoísmo e do individualismo. Eis o desejo do coração do Papa Francisco: “Como gostaria que a esmola se tornasse um verdadeiro estilo de vida para todos!???

3. As 3 palavras- mágicas

“Com licença, obrigado e desculpas???. Em uma de suas catequeses no ano de 2016, o papa sugeriu o resgate dessas palavras para manter o amor e a concórdia das famílias. Nada com utilizarmos desse conselho na Quaresma.

4. Eucaristia Dominical

A Celebração da Missa é o coração da comunidade cristã. Local do encontro dos irmãos e com o Senhor. A escuta da Palavra de Deus, os símbolos litúrgicos e os ritos formam a melhor escola para qualquer tempo litúrgico.

5. Pedir perdão

“O perdão das ofensas é a expressão mais eloquente do amor misericordioso e, para nós cristãos, é um imperativo de que não podemos prescindir!??? (Papa Francisco) A Quaresma é o tempo mais propício para encontrar-se com o irmão que nos ofendeu e oferecer nosso perdão.

6. Campanha da Fraternidade na família

Este ano, a CNBB propõe para a Campanha da fraternidade o tema “Fraternidade e a superação da violência???. Nas palavras do arcebispo de Palmas, dom Pedro, estamos no tempo de depor as armas, as palavras duras, e semearmos a paz.

7. Abstinência alimentar

Abdicar de algo que nos apetece é saudável e educa os sentidos para o essencial. Abrir mão do chocolate, do refrigerante, de comprar certas guloseimas leva a família a preparar-se com expectativa para o tríduo pascal.

Com essas dicas, sua família poderá na contemplação da dor do Filho de Deus, preparar-se bem para celebrar sua páscoa.





Jornal Online “A Voz de Lourdes” – Março de 2019
Compilação e Edição: Sérgio Bonadiman - Revisão e Publicação: Dermeval Neves
Responsabilidade: PASCOM Paróquia Nossa Senhora de Lourdes - Vila Hamburguesa – SP
Site da Paróquia: http://www.pnslourdes.com.br

REFLETINDO COM SANTO AGOSTINHO

A QUARESMA


Na obra «História de uma conversão. A Quaresma com Santo Agostinho», o sacerdote polaco Waldemar Turek pega no famoso livro das Confissões de Santo Agostinho (354-430) e apresenta, por breves, mas preciosos capítulos, um itinerário quaresmal que se recomenda às almas que anseiam descobrir um caminho espiritual para se salvarem e se alegrarem em Deus, após terem descoberto quem é o homem, o pecado e a graça, o mundo e a eternidade. «Quem é Deus? - Interroga-se Santo Agostinho – Perguntei-o à terra e disse-me: “Eu não sou.”» (Conf. X,6)

Agostinho, bispo de Hipona, autor das Confissões, é considerado «o maior santo entre os Doutores e o maior Doutor entre os Santos» (Pe. António Vieira). Por seu lado, as Confissões são um livro impregnado de fé, de fervor religioso, de metafísica, de deleite espiritual, de humanismo, de sentimento, capaz de levar às alturas e ao mesmo tempo até às lágrimas, o coração mais empedrado. Considere-se que desde Vieira (séc. XVII) foi o livro que maior influência teve na cultura portuguesa e do qual os existencialistas do séc. XX se fizeram os maiores devedores. Sendo hoje em dia este precioso livro, infelizmente, muito pouco conhecido (porque na era da informática popularizada cada vez menos se leem os clássicos), surge nesta edição uma série de meditações que o tomam como base com o fim de se passar uma Quaresma proveitosa e pedagógica em vista de uma conversão sincera. Todos estes textos passaram na Rádio Vaticana, dia-a-dia, durante a Quaresma de 2010.

Com a brevidade que se impõe, fornecemos um recorte do texto correspondente ao sábado da iii semana, em que Agostinho ora a Deus pela mãe: [«Perdoa-lhes os seus pecados» (Conf. IX, 13, 35) ]: «“Mas o senhor ora por eles? ”, perguntou uma vez São João Vianney a um dos seus confrades sacerdotes, que se lamentava de os seus paroquianos não serem muito dados a ajudá-lo. Nós oramos pelas pessoas que estão ao nosso cuidado espiritual; contudo, muitas vezes, fazemo-lo sem convicção. Às vezes, também temos dúvidas sobre a eficácia das orações e dos sacrifícios oferecidos pelas pessoas que não creem ou são indiferentes quanto à religião e a Deus. Trata-se da nossa atitude diante da oração de intercessão, isto é, da oração pelos outros, vivos ou mortos. [...] Nas Confissões encontramos muitos exemplos de orações de intercessão. Uma de muitas: “Por isso, Deus do meu coração, minha glória e minha vida, esqueço um momento as boas ações da minha mãe, pelas quais alegremente Vos dou graças, para Vos pedir perdão de seus pecados. Ouvi-me, em nome d'Aquele que é a Medicina das nossas chagas, que foi suspenso do madeiro da cruz e, sentado à vossa direita, intercede por nós. Sei que ela praticou a misericórdia e que perdoou de coração as faltas contra ela cometidas; perdoai-lhe também as suas dívidas, se algumas contraiu em tantos anos que se seguiram ao batismo. Perdoai-lhe, Senhor, perdoai-lhe, eu Vo-lo suplico e não entreis com ela em juízo. ”»

Agostinho percorreu um caminho espiritual longo, complexo e cheio de muitas dificuldades. Com o passar dos anos, compreendeu cada vez mais quanto devia à oração de intercessão da sua mãe. Por isso, queria compensá-la. A história do nosso caminho espiritual também é semelhante. Embora digamos que Deus faz tudo, na prática comportamo-nos como se tudo dependesse de nós. Tomamos conta de várias empresas, cuidamos de muitas coisas, experimentamos diversas possibilidades, corremos, segundo o hábito do homem moderno. Em determinada altura, apercebemo-nos de que esta dependência do trabalho não dá os frutos que esperávamos, não dá a plenitude da verdadeira felicidade; então, começamos a dar lugar a Deus. Amadureçamos espiritualmente e oremos ainda mais igualmente pelos outros, para que se abram também eles à graça de Deus e Lhe permitam que Ele mude a sua vida. É assim que cresce em nós o desejo da oração de intercessão em que confiamos ao Deus misericordioso os vivos e os mortos. No período do Quaresma, dirijamo-nos a Deus com mais fervor, e por intercessão de Santo Agostinho e de Santa Mônica, oremos pelos nossos irmãos. Graças à oração, abramo-nos a Deus que é misericórdia (p. 67-68). «O fruto das minhas Confissões é ver, não o que fui, mas o que sou.» E: «Que amo eu, quando Vos amo? » (Conf. X, 4 e 6)




Jornal Online “A Voz de Lourdes” – Março de 2019

Compilação e Edição: Sérgio Bonadiman - Revisão e Publicação: Dermeval Neves
Responsabilidade: PASCOM Paróquia Nossa Senhora de Lourdes - Vila Hamburguesa – SP
Site da Paróquia: http://www.pnslourdes.com.br